27 abril, 2006

ciclos somos

Um broto implantado por um bico que se abriu, caiu no meio da terra.
Sinto me denso, forço por todos os lados pra saber qual deverá ceder.
Agora eu jah me abri pra luz e clamo aos ceus, abro bem os braços, ganho altura, ja tenho os traços do que logo serei.
A minha aventura, escapar sem se mexer de todos os pisões, aqueles cuidadosos e aqueles duentes maldosos, desiquilibrados e destraidos.
Sem pegar impulso, estou indo mais alto, os verdes estao se esforcando e logo ja resistem com suas cascas duras, e logo mais, folhas maduras.
Desponto na frente de seu horizonte, percebido nunca por olhares distraídos, passam por cima e mudam de lado pra enxergar mais longe o que seus coracoes dizem de tao perto.

Por outros admirado, já nao me sinto mais humilhado, uma pontada no amago, um prego cravado, uma mensagem pra olhos atentos, alguem procura um outro alguem q correu pelo

cantos, sumiu ao vento.
Já estou indo em novas direções, braços como filhos imóveis, não abraçam, mas elvovem as particulas flutuantes e raios de cor e calor, seguram as gotas molhadas em dias de

chuva e as soltam aos poucos, estes filhos agora protegem e quase que alguem me agradece.
Há algo que as vezes sobe, eu me abaixo, ajudo qdo posso, nem sempre tenho a flexibilidade, ele que sobe agora desce, em alguns anos me esquece.
Balanço com o vento, meu primeiro dia de fora, estou me esticando na ponta de um filho, me encurvo para baixo, aprumo o corpo, solto todo o peso, tudo funciona mesmo por aqui,

balanço com o vento, rodopio. Coluna firme, mudo hj de tom de pele e é hora de pairar sobre algumas cabeças, já sinto meu desprendimento latente no fim do meu corpo que

sempre me juntou a meu alimentador. "Voue filha do meu braço", ambos estao se desprendendo e dando espaço pra quem vem de novo ser eu mesmo.
Lá e cá, descendo, pousei lentamente, nem precisei me despedir, ainda estou aqui, mudei de quarto apenas. Sinto um milhao de toques agora e os olhares de espectadores. Me

deixem aqui mesmo, irei me dissolver, estou consciente que meu destino é ser absorvido.
De voltas em voltas, do seco ao umido ao seco, esfarelado a mae terra agora, já sou totalmente absorvido e por frageis braços abaixo, subo acima do lar solo, estou esticando,

agora em pé, olho pra cima. Estico tudo acima, desta vez estico estreito.
Lamina que me parte, leve-me com o vento a qualquer parte, agora repouso, apodreço, quieto, esquecido sem medo.
Erguem me e finalmente colorido vejo um rosto sorrindo. Meu caule vai a um pote de agua, minha veias incham e as petalas vermelhas rejuvenescem. Para mais alguns serei a

lembranca e o presente de um querido ente. Outros que estao debaixo tambem quiserem me usar para decorar o cimento quem cobre e impede que voltemos a viver neste mundo.
Novamente me deixam partir e eu sei q vou esperar a minha nova hora de me esticar, elevando me, mas pq querem voltar para tras? Arde de calor, luz de um mundo

admiravelnmente novo...Já avisado sinto que estou na leveza mais temida, sou agora uma poeira ingerida, descanso no lar pulmao, esperando este novo corpo secar ao chao para

poder me esticar novamente ao sol de qualquer estacao.

07-02-2003
gas

Um comentário:

Crisólita disse...

uau.

buito bom!

(vc está resfriado. naum resisti!-mas adorei o texto de verdade)