17 setembro, 2009

Pré-aniversário, pós morte

Este texto foi escrito dia 09/10/2009, acordei com coração me chamando, batendo forte...é uma tentativa de relato de como eu me sentia no momento pós morte. Eu não morri claro, mas a sensação de perda é grande e 2 pessoas juntas formam 1, portanto essa uma da união está aos poucos indo embora, e eu vou seguir um novo e inesperado caminho, que claro, vai ser bom, mesmo que a dor me acompanhe estes dias.

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Hoje acordei 5 da manhã...normalmente eu poderia ter olhado o relogio e
relaxado, voltado a dormir, mas não na minha atual circunstancia de vida. O
cérebro acordou euforico, tentando pensar no que fazer, ainda raciocinando
sobre os fatos do dia anterior. E o coração, se sentindo agredido, eu não
pude entender se ele estava doendo, ou se me causava essa dor em retribuição
aos fatos do dia anterior.

Dia este fatídico na vida um homem, quando sente que seu corpo não responde
mais as suas vontades, parece que tudo se enrijece, correr, comer, pular,
tudo isso é feito com raiva e amargura, e apenas quando o estômago está nas
últimas, quando as pernas só querem se dobrar.

Hoje eu acordei cedo, e eu fui em muitos lugares diferentes, passei por ruas
que nunca havia passado, mas comigo vinha toda a dor. E aos poucos eu fui me
encontrando com ela, e ela me dizia para deixar meu trabalho, e eu segui em
frente, fui até o prédio que trabalho e conversei muito. A dor estava
comigo, mas eu comecei a ficar envolto numa certa sensação que me levava a
mim mesmo de novo, eu estava alí de verdade, falando de tudo, sendo sincero
ao extremo, e ao mesmo tempo não descambava para a dor. Ela estava alí
presente, umidecendo meus olhos vez por outra. Ela me inspirava a falar
sobre meus planos futuros, ela estava do meu lado!

A dor pode parecer inimiga, a pior inimiga de tudo e todos, mas hoje ela
esteve ao meu lado como companheira, e me guiou pela cidade.

Me tornou um cidadão das massas, sim!
Me deixou com vergonha ao me fazer chorar, sim!
Me levou por ruas se medo, sim!
Me mostrou que nada posso perder ao falar com as pessoas, sim!
Me encorajou a seguir para onde minha ansiedade mandava, sim!

Depois de ter largado meu emprego eu senti que ela estava me pregando uma
peça. Meus Deus, quem sou, pra que eu sirvo? Olha que que eu fiz, perdi
minha mulher, larguei meu emprego, que me resta da vida? Vou largar esta
cidade tambem?

Parecia que tudo estava conspirando para eu nadar no mar do marasmo. E
claro, me afogar nele, afinal eu senti que tinha perdido tudo, eu era apenas
um cadaver ambulante, as pessoas me olhavam com certo desprezo, outras com
certo horror em seus olhos. Tudo não passava de um teste, a dor me testava,
buscava entender meus limites. Mas não me dei por vencido, olhei pra dentro
de mim e encontrei todas minhas vontades de viver que logo devem chegar.

Logo então me reanimei, o cadaver volta a vida, além de andar ele pode
pensar, sentir, sofrer, mas com o coração cheio de vontade para tentar
novamente. Poxa, as pessoas estavam me olhando como um humano que pensa, que
sente, que pode se divertir e falar com a consciencia limpa.

Algumas pessoas me olharam como se soubessem, percebessem que a dor estava
comigo, mostrando um certo respeito e condolencias, mas não como se mostra
isto a um morto. Senti boas vibrações com elas. Educação faz milagres. Um
bom sorriso então.

Aos poucos eu ia me vendo no mundo, eu surgia com toda minha forma, não dava
mais importancia aos seres em volta, não sentia as dores deles mais, eu
podia estar no mesmo plano, na mesma calçada, mas flutuava em pensamentos.

Um comentário:

Mila ;* disse...

Andar ruas, rodeada de pessoas e se sentir distante de tudo desse mundo; é estranho mais faz um bem.

Meu beijo !